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A importância do Eco Fashion para a indústria da moda.

Grandes marcas apostam em práticas sustentáveis para tornar os seus métodos de produção mais conscientes e responsáveis. 

A indústria da moda é um setor-chave para a economia global. Por ano, ela movimenta cerca de 2,5 trilhões de dólares e emprega mais de 60 milhões de pessoas ao redor do mundo. Contudo, ela é também uma das mais poluentes do planeta,  sendo responsável por cerca de 10% das emissões globais de gases-estufa (número maior do que a aviação e o transporte marítimo juntos) e pela liberação anual de 500 mil toneladas de microfibras sintéticas nos oceanos. Além disso, a indústria têxtil é também uma das maiores consumidoras de água ao redor do mundo. Para se ter de exemplo: ao se produzir um par de jeans são gastos cerca de 4 mil litros de água. Já uma camiseta de algodão, mesmo que de origem orgânica,  gera o gasto de 2.700 mil litros de água. 

Todos estes dados revelam que a indústria da moda atual possui um método de produção insustentável. A forma de fabricação e o consumo contemporâneo pode ser apontada como uma das causas para esse aumento da degradação do meio ambiente. O modo de produção fast-fashion (em tradução livre: moda rápida) é um dos maiores vilões a sustentabilidade. Focado na produção em massa, rápida e contínua, as marcas que utilizam o método de fast-fashion buscam levar ao seus consumidores as últimas tendências da moda em tempo recorde e com preços acessíveis. Para manter esse ritmo as marcas de roupa elaboram uma constante renovação de suas peças, trocando suas coleções semanalmente ou até mesmo diariamente. 

Este método de produção ininterrupto é um multiplicador dos problemas ambientais da indústria de moda, principalmente por estimular um consumo pouco consciente, gerar um alto desperdício de recursos naturais e diminuir o tempo de vida-útil das roupas que compramos. Michael Stanley-Jones, da ONU Meio Ambiente,  em entrevista para o site Valor Econômico complementa: “As pessoas não sabem como as roupas e os acessórios de moda são feitos; onde, em quais condições, com quais recursos. As estatísticas indicam que 1/3 das roupas são descartadas no primeiro ano de compra”. 

É a partir desse panorama que surgem movimentos a favor de uma indústria mais sustentável: Mais precisamente o Eco Fashion (em tradução livre: moda sustentável), termo que se refere a um conceito de moda que preza por diminuir os impactos ao meio ambiente produzidos pela indústria da moda. A ideia principal é repensar os métodos de produção e considerar as consequências ambientais que existem na fabricação e consumo de roupas, acessórios e muito mais. Fatores como a diminuição do desperdício de recursos naturais, o uso de matérias-primas menos poluentes,  o estímulo ao consumo consciente e muito outros são levados em conta para a elaboração de produtos mais sustentáveis.

Este conceito já é considerado como a moda futuro, pois é visto como um grande fator para um comprador escolher consumir uma marca ou não. Além disso, o eco fashion apresenta uma visão contrária ao fast-fashion, buscando assim uma maior sustentabilidade nas confecções dos produtos e também um estímulo a um consumo mais responsável. 

Diversas marcas, internacionais e brasileiras, não ficam para trás perante ao eco fashion, tendo assim adotado diversas medidas para diminuir os impactos ambientais de suas produções. A Kering, um conglomerado de luxo francês, que detém grandes marcas como Gucci, Balenciaga, Bottega Veneta, Saint Laurent e muitas outras é um exemplo de uma empresa preocupada com as questões ambientais, particularmente por possuir um departamento exclusivo de sustentabilidade. Nos últimos anos a empresa se destacou por diminuir as emissões de carbono e o gastos de água, a erradicação do PVC de 99,8% dos seus produtos e na criação de uma biblioteca têxtil com tecidos de fontes sustentáveis. 

Todas essas ações almejam a criação de um modo de fabricação mais consciente e sustentável. Porém, estas medidas também servem como uma maneira de destacar positivamente os valores éticos da marca aos seus consumidores, criando assim uma empresa com maior credibilidade no mercado de luxo. Marie-Claire, a chefe por trás do departamento de sustentabilidade da Kering, destaca que no futuro trabalhar com moda sustentável deve se tornar um pilar fundamental para as empresas do setor. 

Cada vez mais grandes marcas e empresas tem adotado medidas para diminuir os impactos ambientais de suas confecções. Foto ilustrativa. Fonte: Printerest Councious Fashion

Outras grandes marcas, inclusive do ramo do fast-fashion, também se mostraram dispostas a mudar seus métodos de produção. Um exemplo é a marca de roupas espanhola Zara que pretende até 2025 se tornar totalmente sustentável. Alguns dos objetivos para se atingir essa meta são: o uso de apenas tecidos reciclados ou orgânicos (algodão, poliéster e linho),  tornar todas as suas lojas e escritórios eco eficientes utilizando energias renováveis e até mesmo disponibilizar em suas lojas containers de roupa para serem reutilizadas, recicladas ou doadas para a caridade. 

Container de coleta de roupas para doação ou reutilização em uma loja da empresa espanhola Zara. Fonte: Metrópoles

Já no Brasil marcas como a Osklen e Insecta Shoes se destacam pelo seu pioneirismo a favor da sustentabilidade. Desde a sua fundação na década de 80, a Osklen fomenta diversas medidas para tornar o processo de produção das suas peças mais consciente, como o incentivo a produção do algodão orgânico e o reaproveitamento de materiais para a confecção de roupas. Além do mais, a marca também disponibiliza em seu site a aba “e-sustentabilidade”, uma seção dedicada para o consumidor conhecer mais das boas práticas da Osklen e adquirir produtos focados em sustentabilidade. 

Fotos da seção e-sustentabilidade do site da marca Osklen. Conheça mais neste link: https://www.osklen.com.br/sustentabilidade

A Insecta Shoes é também pioneira no ramo da moda sustentável. Focada na produção de calçados veganos, ela se destaca pelo reaproveitamento de tecidos e plásticos para a confecção dos seus produtos.  Desde de 2014, data sua criação, a marca já reciclou 900 mil quilos de tecido e mais de 2 mil garrafas PET. Além disso, pelo método de produção empregar o conceito do reaproveitamento, cada par produzido é exclusivo. 

Sapatos da marca vegana e sustentável  Insecta Shoes.
Fonte: Instagram oficial da marca @insectashoes

O eco fashion já se mostra uma realidade necessária a ser tomada pelas grandes marcas e empresas da indústria da moda, visto que seus processos de produção são extremamente insustentáveis. Contudo, é necessário que também os consumidores estejam atentos para mudar os seus hábitos de consumo a fim de tornar a tendência da sustentabilidade um hábito. Medidas como comprar roupas com menos frequência, adquirir peças de brechó e fiscalizar as práticas das marcas em relação ao meio ambiente são maneiras de tornarmos nossa relação com a moda mais responsável e ética. 

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Referências:

“A indústria da moda impacta mais o meio ambiente do aviões e navios”, Estadão, 2019.

“Qual é a indústria que polui mais o ambiente depois do setor do petróleo?”, BBC, 2017.

“A indústria da moda polui mais que navios e aviões”, Valor Econômico, 2019.

“Eco- Fashion: Fique por dentro do conceito de moda sustentável”, Plata o Plomo, 2017. 

“A moda sustentável no mercado de luxo”, Cansei Vendi, 2020.

“Zara quer se tornar tornar totalmente sustentável até 2025”, SBVC, 2019.

“Marcas de roupa apostam em atitudes sustentáveis”, Huffpost, 2018.

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