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Top 5 – A cinco modelos mais influentes da história

Conheça mais sobre a trajetória de algumas das maiores supermodelos de todos os tempos 

Retrato de Gisele Bündchen, uma das modelos mais famosas do mundo.

Dedicadas, fortes e belíssimas. Estas são apenas algumas das características que fazem uma modelo de sucesso. Confira neste post uma seleção feita pela Lux Models das modelos que deixaram uma marca no mundo. 

1) Gisele Bündchen

Gisele é a definição de uma supermodelo. Com uma história inspiradora, a celebridade já contou diversas vezes a mídia que o começo da carreira não fora fácil. Tendo sido rejeitada mais de 42 vezes, Gisele personifica o quanto foco e dedicação podem te levar longe nessa profissão. Até hoje a modelo é reconhecida como uma das mais bem pagas do mundo e com mais capas de revista publicadas. A top brasileira conseguiu ascender do posto de modelo, tornando-se assim um ícone da moda. Atualmente Gisele tem usado sua massiva influência em prol as causas ambientais, especialmente após ser nomeada embaixadora da ONU em 2009. 

2) Naomi Capmbell

Naomi Campbell é uma supermodelo nascida na Inglaterra, mais precisamente no ano de 1970. Ela é reconhecida por ter sido uma das primeiras modelos pretas a aparecer nas capas da Time e Vogue Britânica/Francesa. Em sua carreira, a modelo atuou em diversas outras áreas além da moda, trabalhando como cantora e atriz, tendo assim lançado em 1994 o seu único álbum: Baby Woman. Grandes marcas foram responsáveis por impulsionar Naomi, principalmente Versace e Ralph Lauren. Estas enxergavam a modelo como uma musa e sempre a estimularam. O ativismo contra o racismo é também uma das principais bandeiras de Campbell. Em entrevistas ela já expôs o quanto a indústria da moda é preconceituosa: “Eu posso ser considerada uma das maiores modelos do mundo, mas eu não faço a mesma quantia de dinheiro que minhas colegas brancas” (1991).  Até hoje ela é uma das supermodelos originais que ainda continua em alta na mídia. 

3) Cindy Crawfoard 

Cindy Crawford é também um ícone entre as modelos mais famosas do mundo. Tendo trabalhado em desfiles, campanhas, editoriais e muito mais. Ela nasceu nos Estados Unidos, onde foi descoberta por um olheiro aos 16 anos. Em seu currículo, Cindy já posou para mais de 400 capas de revista e trabalhou com algumas das marcas mais famosas do mundo, como Chanel, Donna Karan e diversas outras. Um dos traços mais marcantes de seu rosto é a sua pintinha no canto esquerdo da boca, um charme que fazia muito sucesso na época. Quando estava no ínicio da carreira, alguns agentes orientaram Cindy a retirar o seu sinal. Ainda bem que a modelo decidiu apostar na naturalidade e adotou a pintinha como um diferencial da sua beleza.

4) Iman

Iman Mohamed Abdulmajid, conhecida profissionalmente como Iman, é uma supermodelo de origem somali. Nascida no continente africano, Iman fora descoberta aos 18 anos enquanto estudava na universidade de Nairóbi. O famoso fotógrafo Peter Beard fora o responsável por descobrir a top model, assim como por convencê-la a se mudar para Nova York e começar a modelar profissionalmente. Entre as décadas de 1970 e 1980, Iman fora uma queridinha do mercado, sendo assim uma sensação em desfiles, publicações, editoriais e muito mais. Para se ter noção do sucesso de Iman, o designer frances Yves Saint Laurent dedicou uma coleção inteiramente a ela, nomeada de “A Rainha Africana”. Em 1990, a top se casou com o famoso cantor David Bowie. Sua relação durou duas décadas, até o falecimento dele em janeiro de 2016.

5) Linda Evangelista

Linda Evangelista nasceu no Canadá em 1965. Vinda de uma família simples de origem italiana, a supermodelo se destacou desde a adolescência por sua aparência, tendo assim chamado a atenção em concursos de beleza locais. Em 1984, a top iniciou sua carreira mudando-se para Nova York com um contrato da agência Elite Model.  Uma das grandes marcas do seu estilo pessoal fora o seu corte de cabelo curto, uma sugestão dada pelo fotógrafo Peter Lindbergh e que a fez decolar na carreira como um grande ícone da moda. Ao longo dos anos, a supermodelo apareceu em mais de 700 capas de revistas e fez diversos trabalhos no mundo da moda, como desfiles, editoriais, campanhas e muito mais. Evangelista era descrita como um “camaleão”, especialmente por sua habilidade em se adaptar a cada tipo de trabalho. A top model é extremamente conhecida por uma das frases mais famosas do mundo do mundo fashion: “Eu não saio da cama por menos de 10,000 dólares por dia”

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Novos desafios as semanas de moda

A chegada do Covid-19 gerou uma necessidade de inovação para as tradicionais Fashion Weeks 

Desfile digital da marca Burberry para a Semana de Moda de Londres, 2020.

A vinda do fim ano marca mais um começo das Fashion Weeks de primavera/verão. As 4 principais do mundo, nomeadas de Big Four (As 4 Maiores – Nova York, Londres, Milão e Paris), tiveram que pensar em novas maneiras de produzir os desfiles que normalmente eram lotados de um público faminto pelas últimas novidades da alta moda. Sem a possibilidade de realizá-los presencialmente pelas questões sanitárias envolvendo o Covid -19, novas ideias surgiram a partir das marcas participantes. Confira neste post as soluções pensadas para as produções de alguns dos eventos mais importantes do mercado.

Semana de Moda de Nova York:

A Patbo, uma marca brasileira, decidiu mostrar sua coleção ao NYFW de forma virtual.

A semana de moda de Nova York primavera/verão 21 foi a primeira do Big Four a iniciar uma nova era para as Fashion Weeks. Com bastante restrições, os desfiles ocorreram principalmente na esfera digital, tendo alguns poucos sido realizados presencialmente. Os shows aconteceram entre os dias 13 a 16 de Setembro.  A plataforma Runway360, criada pelo Conselho de Designers de Moda da América, fora disponibilizada para que o público pudesse ter acesso às apresentações, desfiles e lookbooks. Um dos destaques da temporada foi a marca brasileira de moda praia Patbo. Por meio de uma apresentação virtual, a marca conhecida por valorizar o artesanato, apostou em peças estampadas com bordados e conchas.

Semana de Moda de Londres:

A marca Burberry realizou o seu desfile por uma live stream em uma floresta, no interior da Inglaterra.

A semana de moda de Londres foi a primeira marcada por ser 100% digital. Focada em se adaptar a uma nova realidade, a semana londrina foi destaque por ser a primeira iniciativa completamente online dentre as outras do Big Four. Entre os dias 18 a 22 de Setembro, cerca de 50 marcas apresentaram suas coleções em formatos multimídias, misturando fotos, vídeos e curtas-metragens. Para o público acompanhar os desfiles e transmissões, o site da semana de moda foi renovado para ser uma plataforma on-demand, com acesso ao cronogramas dos shows, perfis do designers e muito mais. Dentre as marcas mais famosas que mostraram suas coleções, estão a Burberry, Vivienne Westwood, Victoria Beckham e diversas outras. 

Semana de Moda de Milão:

A Versace escolheu realizar um desfile por transmissão ao vivo. Com uma pegada enérgica e fantasiosa, a coleção foi inspirada pela beleza e o espirito selvagem da natureza.

A famosa semana de moda da cidade mais fashion do mundo deu o que falar, principalmente por ter sido marcada como uma das mais próximas à “normalidade”, já que reuniu mais de 20 desfiles presenciais, como das marcas Fendi, Alberta Ferretti e Dolce e Gabbana. Contudo, também, houveram desfiles digitais, como das grifes Prada e Versace. A grande crítica a realização de eventos presenciais se deu pela falta de empatia das grandes marcas em respeitar o grande número de vítimas do Covid-19. Afinal, a Itália fora uma das nações dos maiores atingidas pela pandemia mundial, tendo mais de 300 mil infectados em todo o país. O evento ocorreu entre os dias 23 a 28 de Setembro e trouxe questionamentos sobre a maneira de como estamos encarando os impactos da pandemia do coronavírus.

Semana de Moda de Paris:

A maison Chanel foi uma das marcas participantes que decidiu por realizar um desfile presencial. A inspiração para essa coleção veio de Hollywood, especialmente do glamour associado a atrizes de cinema.

Uma das semanas mais importantes do circuito tradicional, A Paris Fashion Week primavera/verão ocorreu entre os dias 28 de Setembro a 6 de Outubro. Pela questão do Covid-19, esta edição ocorreu em um misto de apresentações presenciais e virtuais. Críticas foram feitas a marcas que seguiram por realizar shows presenciais e até causaram aglomerações, como foi o caso da Grife Isabel Marant. O line-up reuniu marcas famosas, como Chanel, Dior, Chloé e diversas outras.

E no Brasil?

Isaac Silva – SPFW N48 Inverno 2020.

A São Paulo Fashion Week, a semana de moda mais importante da América Latina, está marcada para acontecer este mês entre os dias 4 e 8 de Novembro. A edição será totalmente digital e tem como foco comemorar os 25 anos de realização do evento.

Uma outra novidade é um termo moral assinado pela organização do SPFW junto do coletivo Pretos na Moda. Nomeado de “Tratado Moral”, o documento visa a diminuição do preconceito racial no evento e garantir boas condições de trabalho a modelos, costureiras, camareiras e outros profissionais. Além disso, outras questões foram abordadas,  como o pagamento de cachê obrigatório a todos os modelos participantes e o estímulo a valorização de outros padrões de beleza além do tradicional branco, longilíneo e magro. Grandes nomes assinam o documento do evento, como representantes de agências, stylists e outros profissionais da indústria. Cabe agora ver se as práticas serão realmente implementadas nos bastidores e desfiles do evento.

Referências:

Elite da moda brasileira assina carta antirracista proposta por ativistas, Folha de São Paulo, 2020.

Milão Fashion Week tem mais de 20 desfiles presenciais em meio a pandemia, Ilca Maria Estevão, Metrópoles, 2020.

Primavera/verão 2021: Saiba o que rolou no London Fashion Week Virtual, Ilca Maria Estevão, Metrópoles, 2020.

London Fashion Week 2020: Faço um giro pela 1 edição do evento digital, Ilca Maria Estevão, Metrópoles, 2020.

Givenchy, Chanel e Louis Vuitton: Veja como foi o fim do Paria Fashion Week. Ilca Maria Estevão, Metrópoles, 2020.

Paris Fashion Week: veja destaques de Dior e Loewe na primavera/verão 2021, Ilca Maria Estevão, Metrópoles, 2020.

Moda: maratona do Fashion Week é retomada e tenta encontrar novo formato após a pandemia, UOL, 2020.

Boletim julho: Os impactos da pandemia na moda, atualizadas diariamente, FFW, 2020.

Paris Fashion Week acontecerá de forma digital a partir de segunda, Blog Social, 2020.

Saiba qual o destino das semanas de moda após a pandemia coronavirus, Ilca Maria Estevão, Metrópoles, 2020.

SPFW celebrará seus 25 anos com evento digital, Novello Dariella, 2020.

#SPFW25ANOS, confira o line up da primeira edição digital do evento, Vogue Brasil, 2020.

Moschino Resort 2020

A influência “fantasiosa” do Halloween

A fantasia é um elemento importantíssimo do tradicional Dia Das Bruxas e que também serve de inspiração para a industria moda.

Looks inspirados nas gêmeas do filme “O Iluminado” (1980) da coleção resort da marca MOSCHINO, 2019.

Dia 31 de outubro é comemorado no mundo o Halloween, mais conhecido como Dia das Bruxas nas terras tupiniquins. Esta data é normalmente mais celebrada em países anglo-saxônicos, especialmente nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Irlanda.  

A data comemorativa nasceu a partir das raízes das religiões pagãs e cristãs. Se acreditava que este dia era marcado pelo “afastamento de maus espíritos ou pela reconciliação com a morte”. Desde sua criação, o Halloween passou por diversas mudanças, principalmente no tom divertido que a festa possui atualmente. Antigamente, a data estava ligada a um sentido mais mórbido e sério, como conta Lesley Bannatyne a CNN, autora que escreveu diversos livros sobre a história do Halloween: 

“Antes de evoluir para a festa familiar e amigável que conhecemos hoje, o dia 31 de outubro estava profundamente ligado a fantasmas e superstições. Ele era visto como um dia anormal, quando você poderia agir fora das normas da sociedade” 

Esta visão antiga mais assustadora pode ser confirmada pelas fantasias utilizadas há anos atrás, principalmente nas décadas de 1920 e 1930, por habitantes dos Estados Unidos. Naquela época as fantasias abraçavam o lado mais pagão e sombrio da data, buscando assim retratar um clima mais sinistro. Além disso, o anonimato era também uma grande parte da celebração, o que fazia as pessoas utilizarem disfarces completos. 

Três crianças se preparam para a noite de Halloween em Ohio, EUA, 1929.

Se antes o Halloween era visto como uma data macabra, hoje em dia a festa já aderiu novos tons, principalmente pelas influências da cultura pop. Por estar relacionado ao uso de fantasia, o Halloween se tornou o dia perfeito para o exibicionismo, perdendo assim as raízes de ser uma ocasião de total disfarce. Podemos observar isso na atualidade pelas contas dos famosos nas redes sociais. Quando chega o dia 31 de outubro, é impossível não se deparar com as megas produções feitas por celebridades. Este efeito é também um reflexo de como o Halloween é um influenciador direito na moda.

Esta transição de uma data mais sombria para uma ocasião de alta expressividade (e até mesmo ostentação) é retratada, de maneira cômica, no filme Meninas Malvadas (2004). No longa, a personagem principal Cade, interpretada por Lindsay Lohan, acaba que por enxergar o ato de se fantasiar no Halloween como uma ocasião para se vestir de uma forma extremamente assustadora, enquanto suas amigas enxergam a data como uma forma de aderir a fantasias mais sexys e influenciadas por ícones da cultura pop, como a mulher gato. Este fato se deve pela personagem Cade ter passado grande parte da sua vida vivendo na África, longe do acesso à cultura norte-americana. 

Contudo, não é apenas no uso de fantasias que observamos as influências do Halloween no meio da moda. Em desfiles, editoriais, eventos e até mesmo no ramo das maquiagens podemos ver o quanto a data se tornou uma grande referência para artistas, estilistas, maquiadores e muitos outros profissionais nos últimos anos. 

É hora do Horror: Top 4 influências recentes do Halloween na Moda 

1 – MOSCHINO – Coleção Resort 2019/2020

Inspirada em filmes de terror e personagens clássicos da data, a marca high-fashion Moschino, do estilista Jeremy Scott, impressionou a todos no ano de 2019 com uma coleção divertida, extravagante e assustadora. O desfile ocorreu próximo dos estúdios da Universal e referenciou ícones de contos e filmes, como Frankenstein, Carrie – a estranha, Pânico, O iluminado e muitos outros. 

2 – Tutorial de maquiagem do VOLDERMORT por GLAM&GORE E JEFFREE STAR

O icônico (e controverso) maquiador Jeffree Star, dono de uma das empresas de cosméticos mais famosas da atualidade (Jeffree Star Cosmetics) produziu no ano de 2018 um tutorial inesquecível em parceria com a maquiadora GLAM&GORE. Tornar-se o Voldemort foi uma perfeita maneira de brincar com um símbolo da cultura pop e relacioná-lo com a imagem de vilão muitas vezes colocada sobre Jeffree nas redes sociais. Este tutorial é também um marco de como a maquiagem é um ramo extremamente influenciado pelo Dia das Bruxas. 

3 – Casamento Sombrio – Tema de desfile de Rupauls Drag Race

A última temporada de Rupauls Drag Race trouxe um tema icônico para o desfile do episódio 8 da 12 Temporada. Nomeado de Black Wedding ou Black Widow (em tradução livre: casamento sombrio ou viúva negra), o desfile impressionou pela versatilidade das drags competidoras e pelas múltiplas interpretações do que seria uma noiva aterrorizante ou tenebrosa. Halloween é uma data que está totalmente relacionada a arte drag, principalmente pelo fato de uma drag ser um personagem, uma fantasia. 

4 – O Halloween invade o Brasil – 2019

Não é apenas em países anglo-saxônicos que a influência do Halloween se estende. No Brasil, algumas celebridades chamaram a atenção por usar diversas fantasias de referências da cultura pop no Dia das Bruxas. Anitta e Sabrina Sato impressionaram nas redes sociais após postarem looks super produzidos. Anitta se inspirou em Elvira, a rainha trevas e ícone do glamour e terror nos Estados Unidos. Já Sabrina apostou em um look que referenciou a ópera de Pagliacci em um tom sombrio e pitoresco.

Referências:

“Vem ver as melhores fantasias do Halloween Brasileiro”, Lucas Machado, Terra, 2019.

“From pagan spirits to Wonder Woman: A brief history of the Halloween Costume”, Marianna Cerini, CNN, 2020.

“A história do Halloween (O Dia das Bruxas)”, Moda de Subculturas, 2009.

“Halloween´s influence on Fashion”, Alice Barnett, CUB Magazine, 2016.

Is Halloween becoming more about beauty than fashion?”, Charlie Brinkhurst-Cuff, Dazed Beauty, 2018.

“Moschino Resort 2020 – Coverage Collection”, Nick Remsen, Vogue, 2019.

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A importância do Eco Fashion para a indústria da moda.

Grandes marcas apostam em práticas sustentáveis para tornar os seus métodos de produção mais conscientes e responsáveis. 

A indústria da moda é um setor-chave para a economia global. Por ano, ela movimenta cerca de 2,5 trilhões de dólares e emprega mais de 60 milhões de pessoas ao redor do mundo. Contudo, ela é também uma das mais poluentes do planeta,  sendo responsável por cerca de 10% das emissões globais de gases-estufa (número maior do que a aviação e o transporte marítimo juntos) e pela liberação anual de 500 mil toneladas de microfibras sintéticas nos oceanos. Além disso, a indústria têxtil é também uma das maiores consumidoras de água ao redor do mundo. Para se ter de exemplo: ao se produzir um par de jeans são gastos cerca de 4 mil litros de água. Já uma camiseta de algodão, mesmo que de origem orgânica,  gera o gasto de 2.700 mil litros de água. 

Todos estes dados revelam que a indústria da moda atual possui um método de produção insustentável. A forma de fabricação e o consumo contemporâneo pode ser apontada como uma das causas para esse aumento da degradação do meio ambiente. O modo de produção fast-fashion (em tradução livre: moda rápida) é um dos maiores vilões a sustentabilidade. Focado na produção em massa, rápida e contínua, as marcas que utilizam o método de fast-fashion buscam levar ao seus consumidores as últimas tendências da moda em tempo recorde e com preços acessíveis. Para manter esse ritmo as marcas de roupa elaboram uma constante renovação de suas peças, trocando suas coleções semanalmente ou até mesmo diariamente. 

Este método de produção ininterrupto é um multiplicador dos problemas ambientais da indústria de moda, principalmente por estimular um consumo pouco consciente, gerar um alto desperdício de recursos naturais e diminuir o tempo de vida-útil das roupas que compramos. Michael Stanley-Jones, da ONU Meio Ambiente,  em entrevista para o site Valor Econômico complementa: “As pessoas não sabem como as roupas e os acessórios de moda são feitos; onde, em quais condições, com quais recursos. As estatísticas indicam que 1/3 das roupas são descartadas no primeiro ano de compra”. 

É a partir desse panorama que surgem movimentos a favor de uma indústria mais sustentável: Mais precisamente o Eco Fashion (em tradução livre: moda sustentável), termo que se refere a um conceito de moda que preza por diminuir os impactos ao meio ambiente produzidos pela indústria da moda. A ideia principal é repensar os métodos de produção e considerar as consequências ambientais que existem na fabricação e consumo de roupas, acessórios e muito mais. Fatores como a diminuição do desperdício de recursos naturais, o uso de matérias-primas menos poluentes,  o estímulo ao consumo consciente e muito outros são levados em conta para a elaboração de produtos mais sustentáveis.

Este conceito já é considerado como a moda futuro, pois é visto como um grande fator para um comprador escolher consumir uma marca ou não. Além disso, o eco fashion apresenta uma visão contrária ao fast-fashion, buscando assim uma maior sustentabilidade nas confecções dos produtos e também um estímulo a um consumo mais responsável. 

Diversas marcas, internacionais e brasileiras, não ficam para trás perante ao eco fashion, tendo assim adotado diversas medidas para diminuir os impactos ambientais de suas produções. A Kering, um conglomerado de luxo francês, que detém grandes marcas como Gucci, Balenciaga, Bottega Veneta, Saint Laurent e muitas outras é um exemplo de uma empresa preocupada com as questões ambientais, particularmente por possuir um departamento exclusivo de sustentabilidade. Nos últimos anos a empresa se destacou por diminuir as emissões de carbono e o gastos de água, a erradicação do PVC de 99,8% dos seus produtos e na criação de uma biblioteca têxtil com tecidos de fontes sustentáveis. 

Todas essas ações almejam a criação de um modo de fabricação mais consciente e sustentável. Porém, estas medidas também servem como uma maneira de destacar positivamente os valores éticos da marca aos seus consumidores, criando assim uma empresa com maior credibilidade no mercado de luxo. Marie-Claire, a chefe por trás do departamento de sustentabilidade da Kering, destaca que no futuro trabalhar com moda sustentável deve se tornar um pilar fundamental para as empresas do setor. 

Cada vez mais grandes marcas e empresas tem adotado medidas para diminuir os impactos ambientais de suas confecções. Foto ilustrativa. Fonte: Printerest Councious Fashion

Outras grandes marcas, inclusive do ramo do fast-fashion, também se mostraram dispostas a mudar seus métodos de produção. Um exemplo é a marca de roupas espanhola Zara que pretende até 2025 se tornar totalmente sustentável. Alguns dos objetivos para se atingir essa meta são: o uso de apenas tecidos reciclados ou orgânicos (algodão, poliéster e linho),  tornar todas as suas lojas e escritórios eco eficientes utilizando energias renováveis e até mesmo disponibilizar em suas lojas containers de roupa para serem reutilizadas, recicladas ou doadas para a caridade. 

Container de coleta de roupas para doação ou reutilização em uma loja da empresa espanhola Zara. Fonte: Metrópoles

Já no Brasil marcas como a Osklen e Insecta Shoes se destacam pelo seu pioneirismo a favor da sustentabilidade. Desde a sua fundação na década de 80, a Osklen fomenta diversas medidas para tornar o processo de produção das suas peças mais consciente, como o incentivo a produção do algodão orgânico e o reaproveitamento de materiais para a confecção de roupas. Além do mais, a marca também disponibiliza em seu site a aba “e-sustentabilidade”, uma seção dedicada para o consumidor conhecer mais das boas práticas da Osklen e adquirir produtos focados em sustentabilidade. 

Fotos da seção e-sustentabilidade do site da marca Osklen. Conheça mais neste link: https://www.osklen.com.br/sustentabilidade

A Insecta Shoes é também pioneira no ramo da moda sustentável. Focada na produção de calçados veganos, ela se destaca pelo reaproveitamento de tecidos e plásticos para a confecção dos seus produtos.  Desde de 2014, data sua criação, a marca já reciclou 900 mil quilos de tecido e mais de 2 mil garrafas PET. Além disso, pelo método de produção empregar o conceito do reaproveitamento, cada par produzido é exclusivo. 

Sapatos da marca vegana e sustentável  Insecta Shoes.
Fonte: Instagram oficial da marca @insectashoes

O eco fashion já se mostra uma realidade necessária a ser tomada pelas grandes marcas e empresas da indústria da moda, visto que seus processos de produção são extremamente insustentáveis. Contudo, é necessário que também os consumidores estejam atentos para mudar os seus hábitos de consumo a fim de tornar a tendência da sustentabilidade um hábito. Medidas como comprar roupas com menos frequência, adquirir peças de brechó e fiscalizar as práticas das marcas em relação ao meio ambiente são maneiras de tornarmos nossa relação com a moda mais responsável e ética. 

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Referências:

“A indústria da moda impacta mais o meio ambiente do aviões e navios”, Estadão, 2019.

“Qual é a indústria que polui mais o ambiente depois do setor do petróleo?”, BBC, 2017.

“A indústria da moda polui mais que navios e aviões”, Valor Econômico, 2019.

“Eco- Fashion: Fique por dentro do conceito de moda sustentável”, Plata o Plomo, 2017. 

“A moda sustentável no mercado de luxo”, Cansei Vendi, 2020.

“Zara quer se tornar tornar totalmente sustentável até 2025”, SBVC, 2019.

“Marcas de roupa apostam em atitudes sustentáveis”, Huffpost, 2018.