Design sem nome

Lenços/bandanas: os queridinhos dos looks

Hey, brother! Nós sabemos que a 21a edição do BBB (Big Brother Brasil) deu o que falar e até agora no final do ano ainda se fala dos babados que ocorreram. Temas como transfobia, cancelamento, racismo e abuso psicológico foram os que mais marcaram, mas também um acessório chamou muita atenção, são elas as bandanas/lenços que parecem ter consolidado seu espaço na lista de tendências para 2021. Confira a matéria da Luana Meireles sobre essa tendência que é tudo pra mim!

 

 

A bandana nada mais é do que um lenço amarrado utilizado na cabeça, nos vestuários e é semelhante a uma tiara. Este acessório é encontrado em vários tecidos, desde os mais simples em algodão e poliéster, até aos mais refinados em seda pura. Na moda existe um conceito chamado Zeitgeist, o espírito do tempo que significa dizer que a moda é cíclica, sempre se repetindo. O uso da bandana reflete o desejo da sociedade de retornar para épocas mais alegres.Na hora de fazer a composição do look é essencial pensar no estilo de cada pessoa, decidindo se a bandana terá ou não estampa para depois combinar a harmonia de cores. Peças sólidas e com cores neutras podem ser o ideal para pessoas mais tímidas e reservadas. Já pessoas mais comunicativas podem procurar peças com mais de três cores e com designs que conectem a personalidade.

Falando especialmente das estampas, as estampas de flores e de poá, com acabamento suave, são ótimas para pessoas com estilo romântico e elegante. Por outro lado, pessoas de estilo esportivo, que são consideradas diretas e práticas, podem procurar peças de cores alegres e vibrantes com desenhos clássicos. Na hora de combinar o look vale repetir. Repita as formas da estampa nas roupas e nos acessórios e repita pelo menos uma de suas cores no look para criar harmonia.

– É prática, versátil e direto dos anos 70

A moda surgiu desde os anos 1970, onde as pessoas queriam expressar liberdade de se vestir e hoje é o que buscamos no momento que estamos vivendo, conforto e liberdade, acessórios para colocar isso em evidência”, conta a gestora de imagem pessoal e profissional, Rochelle Chiesa. O que vemos também são os lenços, hoje ele invadiu a cabeça, sendo usado no cabelo, pescoço ou top. 

Se liga nas dicas!

As especialistas Marlene Corbellini, Rafaela de Freitas e Rochelle Chiesa dão dicas de como podemos usar estes acessórios.

A gestora de imagem pessoal e profissional Rochelle Chiesa (@rochellechiesa ), acredita que devemos “escolher uma bandana que harmonize com o seu rosto, se tiver um cabelo mais claro, usar a bandana com tons mais claros. Se quiser escolher um de primeira linha, escolha o que você consegue usar mais vezes com outro tipo de roupa e que combine com o seu estilo pessoal e o que você quer comunicar através disso”. 

 

 

Para a consultora de imagem e estilo, Rafaela de Freitas, “você pode utilizar a bandana num look mais rocker e punk, na balada, num festival, mas também dá para montar produções elegantes, modernas, românticas e até sexys com ela. Não só na cabeça, mas também amarrada no pescoço, no pulso, na cintura, no chapéu, numa bolsa e até nos bolsos de calça, ternos e blazers, por exemplo”, ressalta. 

Irá depender do seu estilo, da sua personalidade para saber como e onde usar a bandana, podemos comunicar o que quisermos através deste acessório, a causalidade é um ponto forte e se destaca. “Se jogue e ouse”, afirma a consultora e coaching de imagem, Marlene Corbellini (@marlenecorbellini ).

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O ininterrupto circuito das tendências de moda

Às tendências oferecem uma maneira de compreendermos os desejos e comportamentos de nossa sociedade

O vestidinho preto: um clássico que até hoje passa por releituras.
Versace – primavera/verão 2019

A moda é uma constante onda de ciclos, um vai e vem eterno de tendências e modismos. Este processo ininterrupto é apenas um reflexo das nossas interações sociais a partir do vestuário. Afinal, se vestir é um ato político que praticamos todos os dias e que define os nossos desejos, vontades e identidade. 

O ciclo da moda é basicamente a cadeia produtiva que faz esse mercado girar. São os processos criativo e de produção, desde o momento em que uma ideia é concebida até a comercialização e utilização pelo consumidor final.

Dentro desse imenso escopo dos ciclos de moda estão as tendências. Elas são também uma forma de interação social, mas focadas em traduzir os desejos e vontades de qualquer indivíduo em diferentes contextos sociais.  Quando falamos de tendências, nos referimos a comportamentos, estes que podem ser repetidos infinitamente e que também explicam o fato das tendências transitarem entre ciclos. 

Podemos tomar como exemplo alguns dos looks do último desfile da marca Balmain na recente PFW Spring/Summer 21  (Paris Fashion Week Primavera/Verão Edição 21 – uma das semanas de moda mais importantes do circuito tradicional). Com um apelo aos anos 80, a maison apostou na década antiga para produzir looks extravagantes e irreverentes. Ombreiras chamativas, exagero de neon, conjuntinhos e muito brilho marcaram um retorno a uma das épocas mais amadas (e odiadas) pelo mundo fashion.

Apelo aos anos 80: Looks da marca Balmain, no último  Paris Fashion Week (S/S21), marcaram por referenciar a década passada

O desfile da Balmain é um exemplo perfeito para entendermos o circuito das tendências e como elas se comportam em meio aos ciclos. Como mostrado nos looks, elementos da década de 80 retornam a atualidade e marcam uma nova releitura sobre a época, criando assim um sentimento nostálgico e saudosista. 

Essa prática de valorização a referências do passado já é algo comum em diversas áreas além da moda. Podemos usar como exemplo a série Stranger Things, estreada em 2016, e inspirada em diversas referências da cultura pop dos anos 80. Este fenômeno de retorno pode ser nomeado de nostalgia precoce. Ele se refere a ciclos existentes em nossa sociedade e que acontecem em intervalos de 20, 30 a 40 anos. A cada novo ciclo buscamos referências em tempos passados e os reinterpretamos a partir de filmes, séries, músicas, tendências de moda e muito mais.

Poster da série Stranger Things (2016)

A psicóloga Catia Gerber, em entrevista para o portal Nova Época, complementa sobre o motivo da nostalgia ser um tema tão forte para a cultura pop: “A nostalgia pode servir como um mecanismo de defesa, um porto seguro. Se nos remete ao passado, pode também nos levar a algum lugar que faça com que o momento atual seja menos doloroso”

Dadas as circunstâncias contemporâneas, principalmente pela crise mundial do COVID -19, a volta a referências do passado, como no caso do desfile da Balmain, se mostra como uma válvula de escape as vivências do cotidiano atual. 

Classificando as Tendências 

Para entender o ciclo de vida das tendências e de que maneira elas impactam na sociedade, estudiosos e pesquisadores do ramo da moda criaram terminologias que nos ajudam a compreendê-las mais facilmente. Dentre as classificações encontramos: 

Modismo: Pode também ser chamado de microtendência, pois tem vida curta. São desejos de consumo efémeros, geralmente alavancados por referências do momento – um filme, uma série, um personagem, uma novela e, em tempos de era digital, até mesmo um influencer. O modismo é uma tendência muito apreciada pelos varejistas, já que atinge, em curto prazo, um pico de consumo, gerando uma boa margem de lucro. 

Podemos citar como exemplo de modismo duas tendências lançadas por novelas da Globo. Uma delas foi o anel usado pela Jade, protagonista da novela O Clone (2001). Outra foi da novela de 1978, Dancing Days, em que meias lurex com sandálias de salto alto viraram febre. 

Clássico: É também chamado de macrotendência, já que sua influência é duradoura: afinal um clássico nunca morre. O clássico é um estilo que não muda por conta das tendências, podendo ser alvo de releituras, mas nunca perdendo a sua essência. 

Como exemplo temos o icônico Black Givenchy Dress, em tradução livre: o tubinho preto, imortalizado por Audrey Hepburn no filme Breakfast At Tiffany’s (Bonequinha de Luxo).  Outro clássico é a estampa xadrez da grife Burberry, que até hoje é um símbolo de identidade da marca. 

Moda: Todas as tendências que não são efêmeras como o modismo ou eternas como o clássico, podem ser classificadas como moda. Estes são produtos que normalmente possuem um ciclo de vida mais longo e estão associados a estações ou lançamentos em semanas de moda. A velocidade de ascensão e queda desta tendência costumam ser parecidas, marcando assim um ciclo mais equilibrado. 

De exemplo, podemos citar as pochetes que fizeram um estouro no meio high-fashion há alguns anos atrás, principalmente nas semanas de moda de 2017 e 2018. Porém, na atualidade, este estilo de bolsa já se encontra em desuso. Contudo, ainda existem adeptos que incorporaram o acessório a seu estilo pessoal.